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Deschain...
You're in a Landry Room
Não consigo escrever quando estou bem.
Clichês positivistas sempre me soam como ilusão
auto-imposta no afã de se ver livre dos fantasmas
que povoam nossos corredores emocionais.
Descobri cedo demais que não nasci pra perseguir a
felicidade.
É frustrante demais.
Preciso da dor,
da miséria,
da injustiça,
da melancolia.
Preciso estar iludido para escrever.
É da essência humana ser miserável.
Por isso sofrimento nos parece mais real
do que alegria estúpida e desenfreada.
Isso acaba. Dor não.
Precisamos que nossas costas estejam
sob o peso do mundo,
que nossos ombros doam ante o flagelo e
nossos joelhos dobrem, cansados.
Só aprendemos a viver quando nos sentimos
injustiçados por algo ou por alguém.
Precisamos da desistência do outro,
da abdicação alheia,
precisamos ver o afastamento
e sentir a falta.
A felicidade não existe.
E não existe porque ela nos desarma.
Nos deixa expostos.
Nos rebaixa e
nos subestima.
A dor, não: ela é real,
nos deixa alerta,
nos faz levantar a guarda,
nos preserva e
nos recolhe.
Todo miserável superestima sua mazela
porque sua mazela o superestima.
É uma troca lenta e agoniante.
A alegria e a pseudo-felicidade podem trazer boas
companhias,
mas apenas a miséria traz as mais leais e reais.
Amigos de miséria: uni-vos!”
Eram 69 poemas vagabundos: Miseráveis - Felipe Voigt (via ascartasqueeunaomando)
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